sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

No fim das contas

O Carnaval acabou e:

- O Brasil não ficou mais rico.
- Não morreram menos crianças no mundo devido a fome e a miséria. Os assassinatos por motivos estúpidos não pararam.
- A grande discussão do momento é quem é mais gostosa a Ivete ou outra mulher que não sei quem é.
- Salvador ficou mais suja do que já era, e toda sua história um pouco mais perdida. Os turistas vieram e se foram, levando algumas fotos bonitas, colares e bananas.
- O futebol vai retomar seu calendário normal.
- As madrugadas voltaram a passar filmes antigos e ruins.
- As pessoas voltaram a suas normais, cheias de alegrias, tristezas, surpresas e coincidências.
- O presidente vai continuar errando a concordância de todos os verbos em todas as frases.
- Os políticos vão continuar falando, roubando e escondendo o ouro.
- Os garis vão deixar de sambar na passarela para serem mágicos da vida, vivendo com salários irrisórios.

Mas todos vão se levantar, pois “são brasileiros e não desistem nunca”. Mais do que isso, eles sonham com uma vida melhor. Com um amanhã mais bonito. Com uma vida mais digna.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Sei lá...

Hoje não sei exatamente se isso é inspiração ou incerteza. O que diferencia uma da outra? A primeira te permite criar, usurpar de sua imaginação, destrinchar uma idéia, por mais ridícula que ela seja. Não importa se em momentos de felicidade ou tristeza. Permite que você crie coisas, te expande a mente e te torna uma pessoa melhor. Pode lhe trazer soluções para os casos, pois te põe mais perto de momentos que os grandes gênios tinham constantemente.

A segunda é traiçoeira. Ao contrario da inspiração, que você pode controlar e determinar o próximo passo a ser tomado, a incerteza toma controle de você. Ao invés de te levar as soluções, transformam tudo em um problema muito maior. Ela pode em um momento te levar a felicidade extrema, criar finais perfeitos, soluções interessantes e no momento seguinte destruir tudo isso.

Para falar a verdade, estou mais em uma fase de transição. De ontem para hoje sai da inspiração completa e estou indo direto pro fundo do poço. Isso pode acabar amanhã ou continuar em uma queda livre. Por mais que se tente qualquer reação, meus esforços para criar são bruscamente cessados pelo outro lado da incerteza. Daí pra frente, só uma pessoa poderá resolver isso...

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Lembrete

Pode deixar que eu não estou esquecendo o que eu o prometi, logo postarei "Copa do Mundo? É do Brasil!"

Corinthians x São Paulo

Adivinha só, o Corinthians perdeu mais uma, mas o Leão continua, o Kia disse que mais uma vez que ele resolverá o problema do futebol no Timão. Mais do que isso disse que o Tevez volta. E e sem contar que tudo isso rolou na semana em que o tabu alvinegro contra o São Paulo ganhou um novo capítulo.

Um capítulo cheio de detalhes por mim observados:

1º- mais do que um detalhe é uma confirmação, a zaga do Corinthians é no português claro: um lixo. Betão e Marinho com a ajuda de Marquinhos. Pelo amor de Deus, na turma da faculdade da pra montar uma zaga melhor. A cabeçada do Marquinhos! Ele entrou por um só motivo “ele é alto e se saira bem nas jogadas de cabeça”, afirmou Leão. Vimos isso direitinho.

2º- A ausência de alas capacitados no time do Parque São Jorge, que é isso, um time que gastou tanto dinheiro não ter um ala que preste para cada lado do campo? E afirmo que gastou, porque se tivesse investido estaria bem. Da esse dinheiro na mão do Brunoro pra ver aonde ele leva o Palmeiras. Para quem não sabe, ele foi o responsável pelo sucesso da gestão Parmalat. Mustafá era só uma figura representativa.

3º- Roger, na boa e velha linguagem de boleiros: pipocou. Após o gol achei que ele jogaria bem, chegou a dar um belo drible perto da linha de fundo, mas foi só. Desapareceu no jogo e deixou o meio-campo com um buraco enorme para o Tricolor jogar. Mais uma vez não fez o que seria de se esperar de um craque.

4º- Os atacantes não vi se estavam jogando. Se havia algum em campo eu não vi. O William tentou pouca coisa para um clássico, mas muita coisa com relação ao reto do time que estava jogando.

5º- O goleiro Marcelo é uma lastima. Falhou feio no primeiro gol e a falta de confiança que passa para seus companheiros de equipe influenciou no erro de Marquinhos. Tanto na cabeçada ridícula, quanto no pênalti que fez em seguida.

6º- No lado do São Paulo, o time estava bem organizado. Ocorreram poucos erros e deram sorte no primeiro gol. Rogério Ceni continua fazendo mais gols que muitos meias e atacantes. Aloísio mostrou que mesmo quando não faz gol pode ser útil ao time do Morumbi. Júnior já esteve melhor e o ala direito Reasco deixou a desejar. Para mim Ilsinho é melhor do que ele.

No final, sem querer tirar os méritos São-paulinos, ocorreram muito mais erros por parte do Corinthians do que acertos por parte do Tricolor.

Deixei para o final meu comentário sobre as atitudes do Leandro. Sei que o drible faz parte do jogo, mas existe um limite. Ele não estava desrespeitando torcedor nenhum, camisa nenhuma das outras tantas coisa da qual reclamaram. Mas sim o profissional que estava no outro time, nesse caso o Magrão. O corte faz parte do jogo, mas não precisa esperar ele voltar pra passar o pé em cima da bola. Afinal de contas ele nem tem habilidade suficiente para fazer algo do tipo. Se o Magrão mereceu tomar o cartão vermelho, ele mereceu levar um “cutuco” na perna por fazer aquilo.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Foi assim

Sinto falta de você
te ter por perto
sentir teu perfume
teu corpo se aquecendo junto ao meu

Fechei os meus olhos
não te vi
não chorei
não fiquei feliz

Na hora,
me faltou coragem
me faltou palavras

Mas nunca
em momento algum
me faltou amor

As cadeiras do Maracanã...

Durante algum tempo essa foi a forma de saber como andavam as obras do Pan-americano de 2007 no Rio. A cerca de um ano e meio, o maior estádio do Brasil foi liberado para os jogos de futebol, junto com esse anúncio acabou a alegria de todos os torcedores cariocas pobres.

Assim como em muitos outros casos, deram de ombros para aqueles que faziam o segundo espetáculo do dia. Com ingressos a um ou dois reais, os “Geraldinos”, como eram conhecidos aqueles que freqüentavam a geral do Maracanã, faziam a festa e deixavam de fora os problemas, dívidas, políticos corruptos e todo resto. Para eles era o momento de amar o seu time, velo erguer mais uma taça, fazer mais uma jogada que leva uns ao desespero e outros a alegria.

Mas era o fim dos “Geraldinos”. Em nome do progresso eles colocariam cadeiras em redor do campo. Parecia fácil, rápido e indolor. Só parecia, foi difícil acabar o projeto, demorou uma eternidade e doeu no bolso do povo. Os políticos ficaram com eles bem mais macios, rechonchudos e alegres. Coitados, trabalham tanto, eles merecem vai...(isso é um ironia hein!)

Com o início das instalações das cadeiras passei a ficar sabendo mais sobre as obras do Pan. A cada rodada do campeonato brasileiro de 2006 meu desespero aumentava, elas pareciam não estar lá, parecia que a cada dia que passava menos cadeiras eram instaladas. O que pode ser difícil em: fura, coloca parafusa; fura,coloca, parafusa e assim por diante?? Sem contar que essas cadeira vinham em fileiras prontas, eram umas dez por vez. Mas eles insistiam em me deixar nervosos.

O resto não estava diferente, as diversas obras estavam em um avanço tal que parecia que a competição era em 2011.

Um ano depois, parecia que estava tudo lá, tudo pronto. Ai vem um gênio, sim ele só pode ser um gênio pra descobrir, acompanhem?: - a geral era em baixo da arquibancada. Colocamos cadeiras pros ricos verem o jogo melhor. Agora eles estão lá em baixo. Por tanto, eles podem ser atingidos por coisas tacadas lá de cima. – Tá vendo, descobriu a gravidade.

Mas falando sério, ninguém pensou nisso antes? Os milhões gastos não contrataram ninguém esperto o suficiente pra pensar nisso? Agora não dá tempo de cobrir, o jeito é diminuir a capacidade do estádio. Grande coisa, ou seja a reforma de nada adiantou. Meses depois a capacidade do estádio volta a ser de 80 mil pessoas. As cento e poucas mil foram pras cucuia.

Também se percebe que ninguém liga pro povo. Eles passaram anos tomando copada de mijo na cuca e ninguém fez alguma coisa. Uma arquibancada já caiu em cima deles e foi um simples acidente que não podia ser previsto. Afinal, o que eles prevêem lá? Também descobriram que era possível sediar um Pan sem construir nenhum complexo novo. Uma reforma em alguns lugares seria o suficiente para realizar as competições.

Sejam bem vindos ao Brasil. Aqui, muito se fala, muito de gaba, se “acha”, se prepara, se diz pronto, diz que chega lá e aqui sempre se fica. Vamos lá, agora vem a copa, e de futebol a gente entende... hauhauhauahuahuahuahuahua... piada boa viu seu Ricardo Teixeira.

Amanhã: Copa do Mundo? É do Brasil!!!