sábado, 18 de agosto de 2007

Trabalhando pelo Mundo

Acordar cada vez em um país diferente, conhecer o mundo todo, diversas comunidades e suas culturas. Muitos acham que essa é uma vida muito boa e sem preocupações. Mas não para as pessoas que trabalham diariamente por um mundo melhor. No meio de conflitos armados de todos os tipos existem pessoas que arriscam suas vidas para ajudar os outros.

Com doze mil voluntários espalhados por todo mundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o CICV, é um dos principais órgãos mundiais envolvidos nos conflsitos armados. Completamente neutra, a CV ajuda a todos que sofrem com os males causados pelas guerras. Crianças, mulheres, militares feridos de ambos os lados, e principalmente buscando o cumprimento dos direitos internacionais humanitários.

Apenas mais seis brasileiros trabalham para a organização. Um deles localizado em Genebra, no escritório principal do CICV, e outras cinco, espalhadas em várias missões pelo mundo.

Entre essas pessoas está a brasileira Graziella Leite Piccolo, de 39 anos. Natural de Brasília, ela cresceu em uma família muito ligada a comunidades carentes e sempre foi fascinada por outras culturas: “Já no primeiro grau eu me correspondia com ‘pen friends’, amigos de outros paises”.

Graziella se juntou ao CICV, em 1995, e já passou por vários países como México, Peru e Uzbequistão. Atualmente ela é Chefe de Comunicação em Uganda, aonde trabalha a mais de um ano. O país africano passou por vinte anos de conflito armado interno, entre o governo e os rebeldes do Lord's Resistance Army (LRA). Agora os dois lados buscam um acordo para a paz no país. Mas agora, já existem mais de 1 milhão e 700 mil refugiados por causa do conflito.

O interesse de trabalhar no comitê é muito mais antigo do que se pode imaginar. Quando estava cursando Relações Internacionais, na Universidade de Brasília, ela ficou interessada sobre o tema de organizações humanitárias internacionais: “Tive um excelente professor naquela época, o Dr. Antonio Augusto Cançado Trindade, e me fascinava escutá-lo relatando sobre os trabalhos do CICV e também ACNUR(Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).” Mais tarde seria ele que a indicaria para o primeiro chefe dela na Cruz Vermelha.

Muito mais do que aventura e a emoção, Graziella lembra que logo na primeira missão percebeu que era preciso entender: “além do fato, a filosofia do trabalho, conhecer os princípios do comitê, como se trabalha, porque fazem certas coisas e não outras. Enfim, vestir a camisa CICV, era tudo um desafio novo”. Mas era muito difícil de esconder a emoção, ela lembra bem de como era estar lá pela primeira vez: “foi mágico (...) ver um grupo guerrilheiro, estar no meio do mato, estar com população indígena e tudo mais, era muito inusitado”.

Na Croácia, que havia acabado de se separar da antiga Iugoslávia e ainda sofria com o conflito, ela esteve cara a cara com o desespero das pessoas por alguma ajuda. Por alguma informação dos familiares desaparecidos.

Um dos grandes problemas enfrentados pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Uganda, e em muitas partes do mundo, é a falta de estrutura que o país pode oferecer, que nem sempre é a esperada. Apesar do tamanho, eles são de uma entidade que depende de doações e patrocínios para trabalhar: “O importante passa a ser estar lá, perto das pessoas que precisam de ajuda. Vamos aprendendo a equilibrar em nos mesmos o lado emocional e profissional. E assim você vai crescendo, conhecendo mais o seu trabalho e tudo o que isso implica”.

Por mais que Graziella visite constantemente o Brasil, que fale sempre com a família pelo telefone e pela internet, a saudade sempre aperta: “Esse é o fator que pesa em alguns momentos, dependendo do quanto a pessoa e ligada a família e aos amigos. No meu caso, muito. Não falta nada, somente a família e os amigos”. Mas o trabalho não faz mal para seus relacionamentos, muito pelo contrario. Foi no CICV, que ela conheceu seu atual companheiro, que trabalha na mesma organização que ela.

Ela deve ficar na África até fevereiro de 2007 e ai deve partir para outro país. Vai conhecer outra cultura, novas pessoas, novos trabalhos. Mas deixará para trás outras coisas, pessoas e lugares. Terá mais coisas para sentir saudades e novas preocupações. É o preço a pagar mesmo quando se trabalha por um mundo mais justo.


Em Outras Palavras 23/12/2006

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Detalhes

Na frente do prédio que trabalho existe uma pequena árvore que nunca tinha visto florir. Parecia até mesmo um arbusto que cresceu mais do que devia e foi virar uma arvorezinha não muito saudável. Até mesmo o tronco dela é meio estranho, um monte de galhos finos e entrelaçados que formam um tronco forte e saudável.

Nem mesmo os ventos mais fortes, que derrubaram muitas árvores imponentes e bonitas foram capazes de acabar com a vida dela. Sempre passei por ela e aos poucos fui percebendo que nunca estava florida.

Resumindo, era algo verde e retorcido que não chamava a atenção de ninguém.

O inverno chegou, não que o frio este ano esteja lá essas coisas. O verão da Dinamarca deve ser uns bons graus mais frios do que qualquer dia de frio em São Paulo. O de lá pode até não ser, mas o da Holanda é, eita paísinho frio do cacete. Mas isso é assunto pra outra história.

Bom. Num desses dias que fez frio de verdade pra nós brasileiros, mas que qualquer holandês crescido na Dinamarca estaria de shorts e reclamando que estava muito quente. E teria a pachorra de dizer que era sorte aquela brisa estar soprando, pois assim não ficava muito abafado. Continuando, resolvi gastar uns minutinhos tomando um café em um dos bancos da praça.

Olhei imediatamente para o arbusto avantajado e pensei: “É garota, agora que você num vai dar flor mesmo”. Sorvi o último gole da bebida e subi para mais um dia de trabalho.

Em certas épocas, o tempo corre e dificilmente as pessoas prestam atenção nos detalhes. As coisas que realmente podem fazer a diferença, o olhar que você tanto esperou, o choro que você poderia ter consolado, as dores que podia ter curado. As pessoas passam sem se dar conta.

E foi assim comigo durante o último mês. Corri atrás de um monte coisas que considerava prioridade e deixei de observar e admirar as coisas que deveria.

Hoje não foi diferente. Um dia apertado, dead line apertado, precisava terminar aquele trabalho. Consegui. E foi só então, que resolvi sentar por uns segundos. O mesmo banco, mas sem o café e o frio. Foi então eu vi.

Pequenas flores brancas e roxas brotavam entre as folhas que formavam aquele casulo verde. Eram delicadas, não tinham nenhuma exuberância aparente. Mas estavam lá. Na única arvore que nunca tinha tido flores. Em meio a tantas tão grandes e fortes, agora ela era a mais bela.
As outras? Algumas estavam sem uma folinha sequer. Nem uma. Aparente mortas, certas de que sempre seriam as mais imponentes e vistosas da praça.

Na escuridão da noite, as pétalas refletiam a luz forte que vinha da Lua. Levantei e cheguei mais perto. Senti o cheiro doce aquecendo meu peito. Pensei nas coisas que deixei passar. Pessoas para quem não sorri. Nos momentos que não aproveitei com a minha família e amigos.

Subi e comecei a escrever. Sei lá, aquilo me fez bem. Amanhã eu acho que vou tomar um café.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O inverno do coração

Enquanto a chuva caia do lado de fora, ela se mantinha aquecida pelos cobertores e blusas. A noite fria era a única que lhe fazia companhia nos últimos dias. Depois de alguns goles de chocolate quente, desistiu de comer o macarrão que já estava no prato há algum tempo. “Já deve estar frio”, pensou em apoio a sua decisão. Mas a fome foi mais forte, ao contrario do que imaginava, a comida estava na temperatura ideal.

Com o jantar terminado, ela se chafurdou ainda mais nas suas cobertas e na tristeza que carregava ainda mais pesadamente no peito. Uma lagrima escorreu pela macia pele clara de seu rosto enquanto ela finalmente adormecia. Ah, ela tinha outra companhia, Lili, sua gata de estimação, logo se aninhou em seu colo e também pegou no sono.

No dia seguinte acordou com o som distante do despertador, levantou-se do sofá e foi ligar a cafeteira. Enquanto Passava o café também colocou pão na torradeira e foi tomar banho. Deixou que a água escorresse pelo seu corpo lentamente. Fechou os olhos e a sentiu o calor tocando-lhe a nuca, escorrendo pelas cosas, pelos seios, até os pés. Sentiu as mãos dele fazendo o mesmo. Lembrou das noites que pareceram rápidas demais pra quem amou alguém de verdade pela primeira vez.

Entendera com ele a diferença entre o amor e o sexo. Quem diria, ela nunca achou que chegaria a esse ponto. Era para ter sido uma noite longa de aventura. Se transformou em uma vida curta e intensa de paixão.

Voltou a si assustada. Não queria lembrar, não queria lembra que estava errada. Cometera o mesmo erro que muitos já haviam cometido sem se dar conta. Questionava as ações do coração com a razão mais ilógica possível. Insistia em trocar a felicidade pela dor. A certeza pela dúvida. O amor inquestionável em que se fartava de tudo que era bom por um sentimento superficial e desgostoso.

Descobriu que ele não mais sofria pela troca. O amor ainda estava lá, mas ele soube perceber que era mais importante do que tudo que lhe fazia mal. Foi assim, aos poucos, que o rapaz permitiu que ela o perdesse. Ele já não ligava mais, nunca ligou, foi sempre ela quem recorreu ao telefone para sanar a necessidade de uma voz que realmente a amava.

Agora vivia um amor de escuridões. O medo de novamente estar só tornava suas noites mais solitárias do que jamais haviam sido. Quem diria, justo ela, sempre tão cheia de si, agora estava só.

As pessoas tentaram fazê-la acordar antes que fosse tarde. Mas não, ela deixou-se enganar por sua razão irracional. Todos passavam irradiando calor enquanto ela se afundava em um frio que não sabia de onde vinha. Queria viver o verão, mas o inverno já estava dentro do coração.

A vida de todos seria muito mais fácil se nós amassemos com o coração ao invés da razão.

Pedira a Deus uma pessoa como aquela, e teve medo quando viu que tinha sido atendida. Não queria acreditar que podia ser feliz, queria sempre sofrer. Achava que era isso que mantinha as pessoas por perto, tinha certeza que sua dor atrairia as pessoas solidárias. Não percebeu que na verdade tudo piorava cada vez mais.

Era mais uma vez noite, seu corpo doía depois de um dia de trabalho duro. Chorou enquanto a chuva novamente começava a cair. O sol, nunca mais veria. As trevas e as tempestades cairiam para sempre no coração que nunca mais seria capaz de amar.

A prisão em liberdade

Dois dos três atletas cubanos que fugiram da vila pan-americana durante os jogos do Rio foram deportados no último Sábado, após serem detidos pela Polícia Federal. Muitos já acreditavam que os dois teriam fugido para Alemanha, baseados em fatos vindos não sei de onde. Mais uma vez, toda imprensa noticiou palpites como fatos. Mas isso é outra história.

O que importa é que Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, os boxeadores chegaram à saudosa terra de Fidel, com seus charutos e “mojitos”, depois de uma não tão gloriosa passagem pela terra da caipirinha e aviões. Estejam esses no céu ou no mar.

De acordo com Fidel eles não serão presos e nem sofrerão nenhum tipo de represália, só passaram um tempo, ainda indeterminado, em uma casa de recuperação. Como se eles tivessem algum problema de saúde, metal ou vícios que precisassem ser tratados. Depois de liberados dessa “clínica” Guilhermo e Erislandy estarão livres, ou não.

Os dois nunca mais chegaram perto de nada que, de alguma maneira, possa tirá-los da ilha. Até o fim dos seus dias, terão pessoas observando cada um dos passos dados pelos dois. Cada palavra, cada soco, cada riso, cada choro. Tudo será marcado. Nunca mais eles poderão pensar em tirar sarro das pessoas e do país que lhe deu “tudo”.

Qual será a liberdade que eles terão de agora em diante? Estarão mais isolados do que já está todo resto da ilha. Fadados aos intermináveis discursos de Fidel Castro, novelas brasileiras e propagandas de um governo que procura omitir para manter uma falsa sensação de que o mundo é justo e todos são iguais.

O país nunca iria assistir aos discursos do ditador, se todos não corressem o risco de sofrerem represálias por não optarem por escutar a sábia palavra de seu presidente. Se isso é liberdade, quero só ver o que acontece com quem fica preso.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Pescaria da Boa

Os primeiros raios de sol do dia ainda não haviam aparecido quando João levantou da cama, ainda cansado. Olhou no relógio e confirmou que eram apenas 4 horas da manhã de sábado, mas aquilo não estava sendo nenhum sacrifício para ele. Era mais uma de suas viagens pelo litoral brasileiro atrás de uma boa pescaria, era o maior prazer que o dinheiro poderia proporcionar-lhe.
Ao longo de sua vida, João Almeida, diretor de uma empresa do interior de São Paulo sempre foi apaixonado por esse esporte pouco comum nas grandes metrópoles. Por mais que passasse a maior parte do ano trabalhando, era isso que gostava de fazer nos fins de semana, era isso que amava fazer nas férias.
João começa a fazer os últimos preparativos para a viagem, foram meses de planejamento para que nada saísse errado hoje. Ele e Alberto, seu amigo de infância, preparam cuidadosamente cada detalhe. Cerca de três semanas antes, checaram todos os detalhes do barco, motor, estrutura, equipamentos de segurança, tudo que precisassem em uma emergência.
Seriam cinco dias na Amazônia, pescando pelo prazer e por amar a natureza. Muitos peixes sairiam da água apenas para que sua beleza fosse admirada. Logo depois eles retornariam para as águas e poderiam seguir com sua vida normalmente. Para guiá-los pelo local, os dois amigos contrataram um guia dá região, Washington dos Santos, que conhecia as melhores áreas, rios e os locais aonde a pesca estava autorizada.
Eram cinco da manhã, os amigos se encontram com Washington, e foram para o ponto de partida da excursão. A luz alaranjada do Sol começava a iluminar a copa das arvores mais altas, proporcionando uma visão maravilhosa aos dois.

No outro extremo do país uma família dormia calmamente, quando o relógio despertou Andréia por volta das sete horas. Carlos acordou, mas continuou deitado. Ainda com sono vestiu o roupão e foi para cozinha preparar o café da manhã. No caminho ela aproveitou pra acordar do resto da família.
Minutos depois os dois irmãos estavam sentados à mesa coçando os olhos ainda cansados. O pai chegou pouco depois com uma alegria que os outros pareciam não compartilhar. Sem dar muita atenção a isso, Carlos Dias sentou-se e sorveu um grande gole de sua xícara com café com leite. Abriu o caderno de esportes e seguiu com o alegre café da manhã.
Após ler as notícias do seu time do coração, o comerciante deu uma breve lida nas principais notícias. Aquele era o fim de semana que esperava há muito tempo, era o dia que relembraria as tardes junto com o seu pai à beira da represa. Procurou os olhos dos filhos esperando ver a mesma alegria e expectativa, mas acabou um pouco decepcionado com o que viu. Preferiu acreditar que era o efeito do sono, e que logo tudo estaria como o esperado.
Talvez estivesse certo, pouco depois, Jorge, o irmão mais velho se levantou com um sorriso no rosto. Pediu licença e foi se trocar, seguido pelo não tão animado Pedro. As mochilas já estavam arrumadas desde ontem e o carro já estava praticamente carregado. Roupas, produtos para espantar os mosquitos, protetor solar, os salgadinhos preferidos do “Pedrinho”, um livro, toalha, entre outros apetrechos. Nenhuma vara, minhoca, anzol, nada.
Eram pouco mais de oito horas quando a família Dias saiu alegremente de casa. Com o ar condicionado ligado, uma “musiquinha” de fundo e pouca conversa. Aos poucos Carlos e Jorge iniciaram uma conversa que logo cessou. Pouco mais se conversou na cerca de uma hora que separava a casa da família até o pesque e pague no início da serra de Santos.

João e Alberto conversavam alegremente com o guia, o “papo” era regado a muita cerveja e petiscos. João conduzia a pequena embarcação pelo rio, o local da pesca era em uma região afastada, onde só pequenos barcos chegavam.
Não demorou muito para que as histórias incríveis começassem a surgir. Tanto por parte de Washington, quanto dos dois amigos. O guia iniciou uma história incrivelmente absurda sobre um peixe gigante que uma vez ele retirara do rio. Na história o peixe era maior do que ele próprio, tinha mais de dois metros, e de alguma maneira a sua velha vara de pescar e a linha tinham suportado o peso. Nenhum dos dois acreditou. Ainda mais, porque mais uma vez o peixe acabou conseguindo escapar.
Mesmo assim os dois não deixaram por menos. Contaram da vez em que eles foram pescar em alto mar e o motor quebrou, fazendo com que os dois voltassem parte do caminho a remo. O guia só desconfiou, porque nenhum dos dois entrava em acordo se aquilo tudo acontecerá num sábado ou num domingo.
As horas passaram como um raio, o almoço foi substituído por um lanche que os dois levavam em uma geladeira. Essa, continha uma série de mantimentos para a viagem. Desde coisas leves para lanches e tudo mais, até comidas mais pesadas, tudo pré-preparado. O que precisasse, era só aquecer em um pequeno fogareiro para não perder muito tempo.

Carlos desceu do carro e esticou as pernas, estava pronto para a aventura. Os demais ocupantes do carro saltaram para fora e alongaram o corpo. Aos poucos foram se ajeitando, mala de um, mala de outro, quem carrega o isopor? É lógico que sobrou para o mais novo, e assim transpuseram o que o pai chamou de “portal mágico”. Dali para frente eles se transformariam em pescadores.
Eles entraram e Carlos foi direto falar com a recepcionista, ela os recebeu muito bem e após pagarem as entradas de cada um eles, ela indicou o caminho. Seguiram por uma trilha com toda a segurança possível levava até uma área aberta, com vários lagos artificiais dentro de uma área verde gigantesca. O pesque e pague era bem maior do que o esperado.
Algumas trilhas davam ao lugar um ar de parque e não de um local para prática da pesca. Crianças corriam para todos os lados, pais conversavam em voz alta, peixes de todos os tipos juntos e uma cabana maior, no topo de uma pequena colina aonde podiam se alugar os equipamentos para a brincadeira.
Assim que eles entraram Carlos não encontrou semelhança alguma com a beira de represa que sentava com seu pai. Sentiu saudades do tempo que passava conversando com o “velho”. Foram nessas pescarias que ele descobriu em seu pai um grande amigo. Carlos sentiu um aperto no peito e seus olhos sentiram algumas lágrimas surgirem no canto do olho.
Andréia achou melhor respirar fundo, pois o dia seria longo. Jorge e Pedro gostaram do que viram, enquanto o mais novo iria correr o dia todo e fazer mais amigos, Jorge se preocupou em parecer mais bonito para a morena que viu sentada junto com os pais.
O dia demorou a passar para todos, menos para Carlos. Ficou sentado ao lado da esposa, com a vara de pesca na mão só de olho no que ia sair da água. Na hora do almoço, foram para um restaurante em uma outra parte do pesque e pague, aonde aproveitaram uma série de peixes e frutos do mar.

Mais ao norte, o barco dos amigos parou no meio do rio e o silêncio passou a reinar. As varas com carretilhas Shimano, custando mais de R$2000 cada uma, lançaram as iscas de mais de quinze reais dentro da água e esperaram. Aos poucos os peixes começaram a sair de dentro da água.
Os amigos voltaram a rir, durante o resto da semana João e Alberto fizeram uma nova grande amizade. O guia ganhou um aumento na comissão que recebeu e encontrou dois grandes companheiros de pesca. A viagem dos dois amigos custou no total, cerca de R$10 mil reais com tudo. Os detalhes de tudo que aconteceu, estão até hoje na memória dos três.
Aqui em São Paulo, a família Dias terminou mais um dia feliz, conheceram muitas pessoas que não vão se lembrar. A família toda não gastou mais do que R$500 com tudo. Voltaram para a casa e no dia seguinte tudo já estava igual.