quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Um Romance em Cinco Partes - Capítulo III

I
O carro e aproximou devagar, em marcha lenta o som do motor deixava dava a cena um ar de Sin City. Adriano encostou o carro um pouco antes dos carros de polícia, os dois se olharam e desceram do carro. O policial já esperava para impedir a entrada dos dois, quando Julia explicou que ela estava prestes a se formar e gostaria de saber se podia ajudar de alguma forma, enquanto isso a sombra do rapaz se manteve em silêncio por de trás da garota. “Hum... pergunte para o pessoal da ambulância”, disse o oficial dando passagem a jovem.
Antes que o jornalista fosse no “embalo” da amiga, o homem voltou a sua posição inicial impedindo a passagem. “E você, o que quer?”. Antes que ele tivesse que explicar que ele era jornalista e tentar convencer aquela muralha de que não haveria problema algum em deixá-lo passar, uma voz surgiu ao fundo.
“Adriano?”. Ele se virou rapidamente e o guarda ficou espiando por cima da cabeça quem estava falando. “Jão! Como você tá cara?”, bradou o jornalista que já aproveitava o ganho de tempo para pensar em uma desculpa melhor. Os dois se abraçaram por algum tempo, João Almeida de Albuquerque Lima Filho, esse era o nome completo da figura que acabava de chegar. O “Jão” era o famoso amigo rico que todo mundo tem uma vez na vida. Filho de uma tradicional família de portugueses, que muitos diziam ter alguma distante e pequena, muito distante e pequena, diga-se de passagem, ligação com a realeza. Se disso não havia absoluta certeza, que a conta bancária deles era digna da nobreza, isso lá era.
“O que você faz por aqui meu caro amigo? Ainda mais a uma hora dessas, já passam da 1h da madrugada”, perguntou Adriano, enquanto segurava o colega pelos ombros e dava uma boa olhada no companheiro. Os anos haviam sido bons com Albuquerque, alguns anos mais velho que nosso protagonista, já circulava a casa das quatro décadas, mas estava longe de criar alguma barriguinha de cerveja. Os cabelos negros continuavam firmes no topo de sua cabeça e sem nenhum sinal dos grisalhos. “Lembra que eu havia entrado para a Polícia?”. O jornalista lembrava alguma coisa relacionada a esse assunto. Justamente devido a posição social de João, um de seus “esportes” favoritos era deixar a família em total desespero e nervosismo, na época a melhor maneira que encontrou para fazer isso foi ingressando na Policia.
“Bom, no começo o pessoal olhava torto, achava que eu seria apenas mais um boyzinho pentelho metido a besta. Isso foi até resolver parte de um caso de tráfico de drogas inter estadual”, explicou o oficial, percebendo o sorriso que aparecia levemente no rosto do velho amigo. “Era basicamente uma forma nova de despistar a polícia. A droga vinha de vários locais do Brasil e algumas vezes de fora do país. A coisa complicava depois, antes da droga ir para os pontos de venda, ela chegava a transitar alguns meses entre os estados. Nessas viagens, os destinos eram alterados algumas vezes. As cargas eram misturadas, trocadas entre os veículos.”
“Chegava uma hora, que nem os ‘paus mandados’ não sabiam qual era a origem da droga que estavam transportando. Acabava que nós sabíamos que a erva e a farinha estavam rolando por ai, mas nunca sabíamos onde pegar os caras. Quando víamos, já era, tinha virado mercadoria na mão de usuário”. Enquanto os dois conversavam, adentravam o local da ocorrência que havia acabado de acontecer, o maior problema de Adriano estava resolvido. “Depois desse caso fui crescendo bastante, agora eu chefio uma divisão especial do Departamento de Homicídios da Polícia Federal”. O amigo não se segurou diante da possibilidade de estar prestes a ter uma notícia em primeira mão.
“Especial quanto?”
“Casos que envolvem pessoas de valor político, social ou econômico. Empresários de grandes empresas. Esse tipo de coisa”, apesar de manter uma aparente calma Adriano estava extasiado por dentro, ele já sabia que havia alguma coisa de importante acontecendo ali.
“E quem é o problema famoso de hoje?”, perguntou como um curioso qualquer. Nesse momento Albuquerque parou a alguns metros da confusão, lá na frente ele podia ver Julia conversando com os médicos do corpo de bombeiros, que se mantinham afastados do epicentro do caso. “Esses jornalistas curiosos”, disse o policial rindo. “Chega mais, só se lembra que a gente não se falou hoje hein?!”
“Não sei nem quem é você.”

II
A cena que estava à frente de Adriano era no mínimo bizarra. Um Omega preto, ainda novo, estava para do na transversal, ocupando uma faixa e meia. A porta do motorista estava aberta. Dentro do carro havia dois corpos sem vida, cobertos por panos brancos, manchados de sangue. Dos pneus eram visíveis as marcas de borracha deixadas no asfalto no momento que as rodas travaram devido a freada busca do motorista.
Julia havia se juntado aos dois amigos nesse momento. Ela também conhecia de vista chefe da operação, mas não tinha a mesma relação que os outros. Na verdade, gostava de pensar nele apenas como um conhecido, nem mesmo um amigo distante. “Uma emboscada?”, perguntou a garota. “Não parece ser”, afirmou Adriano antes que João respondesse ao questionamento. “Não existe nenhum sinal de que um carro tenha bloqueado o caminho deles. Existem marcas externas de tiros, mas esse carro tem blindagem completa, veja só a espessura do vidro. Poucas armas seriam capazes de atravessar a proteção. Além de que um carro desses não iria para por causa de um simples carro”.
“Bem observado. Algumas marcas indicam que os tiros que mataram eles vieram de dentro do carro. Encontramos cartuchos de 12mm dentro do carro” disse Albuquerque. “O mesmo calibre que algumas amas da Policia Federal”, comentou o jornalista com um sorriso provocador no rosto. “Quem são?”, perguntou apontando para os corpos ainda dentro do veículo. Albuquerque hesitou, mas respondeu. “Ainda em Off, Anna Smith Strokenphel, diretora do Departamento de Criação de Software da USAF (United States Air Force), e Allan dos Santos Dias, Coronel da Força Aérea, departamento de desenvolvimento tecnológico. Ainda não sabemos de onde vinham, nem mesmo para onde estavam indo. No banco da frente estava o segurança deles, sobreviveu, mas perdeu muito sangue. Não sei se dura muito, saiu daqui semi-consciente, mas além do tiro no pescoço parece que está com uma bala na alojada na cabeça. Foi para um hospital, que não vou dizer qual é.”, disse, se antecipando a pergunta do colega. “O motorista sumiu, é nosso suspeito número um, mas sabemos que não deve ser o mandante. Acho que vocês já viram o suficiente, agora deixem o pessoal da perícia técnica fazer a parte deles”.
Albuquerque levou os dois para o outro lado da cena já com a intenção de retirar os dois do local. “Você será o primeiro a dar a notícia certa cara, não se preocupe. Hora de ir andando. Lembre-se, nada disso você ouviu de mim”. O oficial esperou os dois se distanciarem um pouco antes de retomar o serviço.
“Não foi o motorista”. A voz tremula de Julia mal podia ser ouvida, apesar do silencio guardado pela madrugada fria da cidade. “Do que você está falando?”, Adriano não estava entendo qual o problema. “O Albuquerque mesmo nos disse que ele sumiu”. A garota parou e encostando-se ao carro e ficando de frente para o jornalista. “Falei com o pessoal da equipe médica. Eles realmente não têm notícias do motorista, mas encontraram marcas de sangue, bastante sangue, no estofamento do banco dele”, Adriano olhava fundo nos olhos da menina a sua frente, se esforçando para manter a concentração nas palavras e esquecendo por um instante a beleza encantadora dela.
“Dei uma olhada, mas não existe nenhum tipo de rastro de sangue saindo do carro. Mesmo com um comparsa, ele precisaria se deslocar até o outro veículo. É como se o motorista tivesse sumido, evaporado”. Adriano não comentou nada, apenas olhou ao seu redor até seus olhos pararem em uma mulher que se recostava no portão de uma casa.
“Espera um pouquinho”. Ele caminhou silenciosamente em direção da senhora e a abordou com um sorriso no rosto. “Boa Noite”. Ela olhou para Adriano retribuindo o sorriso. “A Senhora mora aqui?”, a afirmativa veio com a cabeça. “A senhora sabe o que aconteceu?”. “Olha, apenas escutei um carro freando bem forte. Ai, escutei alguns tiros e o som de um carro arrancando”. “A senhora tem idéia de quantos tiros?”. “Três. Escuta, o senhor é da polícia, por que se for, eu não sei de nada”. Adriano riu, não, pode deixar, sou apenas um curioso por profissão.
“Quantos tiros os paramédicos contaram”, o jornalista perguntou para a moça que o esperava ao lado do carro. “Dois nela, dois nele, os do segurança e mais duas marcas no vidro do motorista. Posso saber o motivo da pergunta?”. “Aquela senhora mora aqui, ela disse ter escutado apenas três tiros. Uma coisa eu te garanto: o que quer que tenha acontecido dentro daquele Omega, não foi nessa avenida”. Julia olhava para o ele de forma incrédula.

III
O carro se mantinha a velocidade constante pela estrada estreita do litoral norte do estado de São Paulo. Os dois ocupantes do veículo mal se falavam e nem mesmo o rádio ligado era capaz de quebrar o clima pesado e tenso que havia se instalado dentro do veículo. Os dois homens eram muito parecidos, poderiam se passar por irmãos, mas aquela era apenas a primeira vez que se viam. O homem ao volante se mantinha concentrado na estrada, era alto e magro, não aparentava ter a força que guardava dentro de si. O do lado apenas digitava rapidamente em um pequeno laptop, plugado em um aparelho de Wireless portátil.
A conversa com o homem que eles nunca tinham visto girava em torno de um trabalho que havia sido devidamente cumprida. Apesar de terem de mudar os planos rapidamente. Depois do relatório devidamente repassado ao chefe eles receberam o endereço onde deveriam se encontrar com ele para receber o que havia sido combinado entre eles e um novo serviço que deveria ser comprido a risca e sem chances para erro. O encontro ocorreria apenas no dia seguinte, eles deveriam passar o resto da noite em São Sebastião e depois ir para Ilha Bela encontrar com o contratante.
Dimitre, fechou o aparelho e um leve sorriso apareceu em seu rosto. Apesar da aparência sisuda durante o trabalho, ele sempre era uma companhia muito agradável. Ainda assim, perto de companheiros de trabalho sem muita proximidade ele procurava agir com cautela e com postura. Filho de russos e italianos ele havia entrado neste mercado de assassino por encomenda há mais de uma década, seguindo os passos do pai, e se destacava pela capacidade de manter a cena o mais “limpa” possível. Infelizmente aquele não tinha sido o final daquela noite.
“Conheço um hotel bom e discreto”, afirmou Jonas. O companheiro de trabalho daquela noite devia ser um novato e servira para lembrar Dimitre dos motivos pelos quais ele se recusava a trabalhar com novas parcerias. Mas o garoto tinha futuro, apenas precisava ser afinado. A serra já ia se acabando e os dois poderiam descansar um pouco.

IV
O silencio também reinava no carro em que Adriano e Julia estavam. Ele estava completamente absorto em seus pensamentos, quando um suspiro impensado da garota lhe tirou totalmente a linha de raciocínio. Ela já reconhecia o caminho de casa e sabia que nada faria com que o final do encontro chegasse perto do sonhado por ela durante o dia. “Desculpa”, foi a única e mais estúpida palavra que ele podia pensar e dizer no momento. “Tudo bem”, a resposta continha mais palavras, mas não era mais inteligente.
O jornalista já havia entrado em “modo de trabalho” no momento em que ele juntou as informações no local do crime, em que não havia acontecido nada além de uma grande encenação. Logo que eles entram no carro ele ligou para o editor de um dos jornais de maior circulação do país e contou mais ou menos o que havia acontecido. Ele devia ir diretamente para a redação, mas ainda teve consciência para levar Julia até a casa dela.
Parado em frente à casa de paredes amarelas, de onde tinha apenas boas lembranças ele ficou mais uma vez sem palavras. Quantas vezes mais ele deixaria de ser feliz para se sentir o melhor naquilo que escolhera como profissão. Julia, não esperou que ele falasse alguma coisa, apenas se despediu com um beijo tímido no rosto do garoto. Poucas palavras marcaram aquela noite de sensações.
O trânsito desimpedido da madrugada paulista fez com que ele chegasse rapidamente no prédio que abrigava a equipe com os melhores jornalistas do jornalismo impresso. O abraço dos ex-companheiros de redação não foi mais duradouro e apertado devido a situação que estava prestes a acontecer.
“Você te certeza que a versão que a polícia passou para nós está errada?”. “Não foi um simples assalto nem aqui nem no inferno. Ainda não conheço 12mm que atravesse aquele tipo de blindagem e que atinja o alvo com tal precisão”. Pedro Alves Jr., jornalista experiente ensinado e aprendido muito em companhia de Adriano. Sabia que podia confiar no amigo, mas colocar aquela notícia no site do jornal seria assumir um erro aprovado na edição impressa que sairia no dia seguinte.
“É capa?”.
“Destaque pequeno na capa da editoria”
“Não é um erro, apenas uma verdade revelada pelo tempo de investigação”, os dois se olharam sorrindo. “O Adriano que conheci achava a falta de apuração ‘A grande cagada’ de um jornalista, no português mais claro que existe”.
“A gente muda”, disse o amigo rindo.
“Escreve a matéria logo.”

V
O mar estava agitado como se sentisse os acontecimentos daquela noite. Em um quarto apertado e abafado os dois assassinos de aluguel se preparavam para as próximas horas do dia. O ventilador posto sobre o pequeno armário tentava amenizar a situação, mas sem obter muito sucesso. “Você precisa ter mais calma na hora de realizar um serviço. A coisa tem uma hora certa para acontecer, se você dá um passo errado acontece como hoje. E ai, vira uma bola de neve que custa um bom tempo concertando a besteira e tentando manter sua cara desconhecida”, Dimitre sabia que o outro homem nem dava bola para o que ele estava dizendo, mas ele gostava de mostrar sua experiência.
“Um dia eu fico melhor que você. Pode ter certeza”. Jonas se levantou rindo da brincadeira, foi ao banheiro e encostou a porta. Dimitre deixou suas coisas ao lado da cama e se manteve vestido, como de costume. Posicionou a arma em uma posição estratégica e cerrou os olhos. Não demorou muito para escutar a porta do banheiro abrindo. Em um movimento rápido ele rolou para o lado e acertou o outro homem no meio do peito. “Sua respiração muda sempre que você se prepara para agir, é uma pena para você, ótimo para mim”. Nesse momento ele sentiu uma dor na parte esquerda do tronco. Jonas também teve tempo de dar um tiro, que pegou de raspão, mas foi o suficiente para que ele começasse a sangrar. Antes de o outro homem despencar no chão, Dimitri acertou um tiro de misericórdia.
O chão de cimento queimado iria facilitar a limpeza da cena. Mesmo assim ele ia precisar de algumas horas para deixar a cena impecável e dar um trato no ferimento que não parava de sangrar e dava sinais de ser pior do que aparentava. Não era dessa vez que ele ia descansar. Arregaçou as mangas e se pôs a trabalhar.
O sol se preparava para começar o novo dia quando ele terminou de arrumar a bagunça que havia ficado dentro do quarto. O corpo fora devidamente descartado depois de ele fazer algumas ligações para pessoas que lhe deviam uns favores. Ele sabia muito bem de onde havia vindo o a ordem para matá-lo, era uma queima de arquivo. O que o mandante não sabia era que a resposta sobre o sucesso da missão tinha sido enviada pelo suposto morto e não pelo morto de verdade.
Não havia como sair pelas ruas sem antes dar um jeito na ferida que havia sido aberta na lateral esquerda do abdômen. Inicialmente ele pensou que havia sido apenas um arranhão, mas era bem mais profundo que aparentava. Primeiro foi ao banheiro, onde levantou seu casaco escuro, que escondia uma camisa verde clara, empapa de sangue. Tirou lentamente o pano que já estava aderido a pele pela coagulação. Com a ajuda de uma toalha de rosto, limpou cuidadosamente o local. Sabia que não havia problemas com a bala, pois havia encontrado o que restou dela na parede do quarto.
Amarrou provisoriamente uma toalha de banho ao redor da cintura, fazendo pressão para que o sangramento fosse minimizado. Ligou para o pessoal do serviço de quarto pedindo um café da manhã completo, alguns guardanapos de pano extras, algumas garrafas de água mineral e perguntou se havia alguma farmácia perto. Pediu então para que comprassem algumas coisas para ele diante de alguma desculpa que não foi questionada por ninguém. Pegou seu palmtop do bolso e foi dar uma olhada nas notícias, mas sua surpresa não foi ver seu serviço noticiado, mas de certa forma, desmentido. A reportagem sobre o assassinato dizia a quem quisesse saber, que tudo havia sido planejado e plantado. De certa forma o grosso estava lá, algumas coisas não eram exatamente aquilo, mas no geral o erro de Jonas havia sido o suficiente para alguém menos conformado não acreditar na montagem feita por ele.
Ali estava, nome e sobrenome do repórter. “Eis um homem muito corajoso ou estúpido”, pensou Dimitre. Porém, ele via ali uma forma de se vingar do homem que havia mandado seu, não muito, companheiro de crime eliminá-lo. Com agilidade começou a procurar toda e qualquer forma de entrar em contato com a pessoa que escrevera a matéria.

VI
Há alguns quilômetros dali, o dono jornal andava de um lado para o outro. “Você tem certeza de que esse Adriano é confiável?”, perguntava com certo nervosismo a Pedro. “Alguma vez confiei em um repórter que não pudesse agüentar o tranco?”. “Odeio quando as pessoas respondem com outra pergunta. Parece que elas não sabem a resposta. Mas dessa vez tenho que aceitar, você ainda é a pessoa em quem mais confio dentro dessa redação”. “Caso contrário, não seria o chefe da redação”, riu o jornalista. O homem não achou muita graça e se sentou em sua cadeira. Nunca havia deixado de publicar a verdade, por pior que fosse, mas sentia que estava ficando velho para tudo aquilo. Ainda não sabia se ser o único jornal do pais colocando que uma oficial dos EUA e um outro brasileiro, foram assassinados premeditadamente, não por um acaso, fosse a coisa mais acertada do mundo.
Nesse momento, Adriano, que estava descansando um pouco e comendo alguma coisa, pediu licença para entrar na sala. Com um telefone nas mãos, ele pediu um momento com o amigo. Pedro se juntou a ele no lado de fora. “Tem um cara do outro lado da linha. Disse que é um dos assassinos”.