sábado, 11 de abril de 2009

“O” e-mail da páscoa

Normalmente tenho dificuldades de postar no blog, pois nos momentos que sobram tempo para escrever, faltam inspiração ou energia depois de um dia de trabalho. Certas vezes, a vontade e a inspiração batem, mas ai falta tempo para colocar todas as idéias no papel, ou melhor, no PC.


Sendo assim, o jeito é aproveitar as madrugas sem nada [nesse caso dinheiro], para recuperar a criatividade perdida ou o tempo sem criação. Pensando na nossa semana santa, um post no mínimo “interessante”, como diria uma pessoa a quem muito estimo, foi uma breve conversa com um amigo meu por MSN.


Estava lá o jornalista labutando, concentrado no trabalho que se presta a fazer, até o momento em que a janelinha “pipoca” no inferior da tela. Aquela janelinha de alguns pixels com a inacreditável capacidade de encerrar qualquer processo criativo [por essas e outras que costumo manter-me off-line quando estou preparando algo para postar]. Lá estava esse amigo meu, que ainda está pensando em que faculdade irá passar os próximos quatro ou cinco anos de sua vida. Enquanto isso ele aproveita para trabalhar no setor de vendas de uma empresa que trabalha com metais. Segue o que me lembro de imediato da conversa:


- Acabei de enviar um e-mail para o vaticano.


- Nossa cara, que pecado você cometeu para precisar se confessar com o Papa? Hahahaha... Que beleza hein cara?! [Será que tem como mandar mais um por mim? Pensei naquele exato momento]


- Hahaha... Eles queriam saber se a gente vendia terço banhado [Na hora não me ocorreu perguntar em que seria banhado, além de água benta, um terço do Vaticano...] Mandei os preços para eles...


E assim seguiu a conversa, sem muito rumo, entre uma possível extorsão do dinheiro do Papa e o fato de o Vaticano ser o estado mais rico do mundo.


Agora, o que não para de incomodar a minha mente é: “Por que cacete o Vaticano ia querer comprar terços no Brasil?” Eles deviam ter uma fábrica só disso lá dentro. Com um acesso exclusivo para o [Tio Chico] Bento XVI e sua trupe de religiosos animados. Afinal, nunca se sabe quando será preciso rezar um pouco mais por um lugarzinho no céu. Não estou desrespeitando a religião de forma alguma, acredito que somos livres para acreditar no que consideramos correto e mais naquilo que nos conforta, apenas achava o João Paulo II uma figura muito mais agradável.

Como para ser vice-Deus a beleza e a simpatia é o que menos conta...

Ainda assim, também custo a acreditar que vou pro inferno por que comi um pedacinho de vaca assada no almoço, mas evitando os conflitos na família preferi o peixe e os legumes nas refeições de hoje. Também fico imaginando, aquele bando de filha da puta em Brasília e tantas outras casas governamentais pelo mundo, roubando e fodendo com meio mundo, ou com todo ele. Depois é só comer um Lambari na brasa, com batatas assadas e um pouquinho de molho de mostarda na sexta-feira santa e pronto: “Seus Problemas Abaram!” [Parafraseando nossos amigos do Casseta e Planeta]. Sei que a religião é muito mais do que isso, mas nossa vida não se resume a agradar o Todo Poderoso. Ainda acho que ele prefere criar diversos universos e exercer seu poder de dar a vida universo a fora, do que sacaneando o almoço de seus filhos ou, como diria o comediante e jornalista Rafinha Bastos, mandando sinais de sua existência na porra da fatia de pão mofado de uma velinha qualquer.


Ah! Vai trepar que você ganha mais!!!


[Ainda essa semana descubro se ele vendeu os terços para o Vaticano]

Canta, contos, encantos, momentos e afins

Cantava em seu canto, enquanto com o canto do olho, cantava a garota que sentava no outro lado da sala de aula de canto. A cada palavra que cantarolava com sua voz ainda juvenil, em um canto de seu coração brotava um amor pueril. Ah! Se pudesse chegar mais perto da garota com olhos encantadores, que azul, que detalhes, que paixão, que canção. Sim, podia e queria cantar um conto de amor enquanto olhava para a menina.

E assim, entre uma nota e outra, entre cantos e encantos, as pontas dos dedos dele tocaram o contorno do ombro, escondido pelo tecido da blusa de lã que a protegia do frio. As palavras, que antes encheram cada aresta da sala de música, esvaíram de sua mente e ele se calou. Ela olhou com o canto dos olhos e sorriu para o rapaz. Esperou um segundo, que para ele pareceu mais longo que qualquer ópera que ele já tinha colocado sua voz a dispor. Ao final desse instante, o primeiro som que se ouviu, foi a doce e presente voz da mezzosoprano a sua frente.

- Você cantou muito bem hoje. Para variar – comentou ironicamente, abrindo um sorriso de um lado a outro que só ela tinha.

Para ele, aquela voz mandou Aretha Franklin para escanteio e colocou a mente dele no lugar onde devia estar. Ele retribuiu o elogio, não podia ser diferente, ela tinha nascido com o dom de encantar simples baladas enamoradas e transformá-las em maravilhosas serenatas de amor a moda antiga. Lentamente, cada centímetro da palma da mão do garoto tocou as curvas da cintura morena da moça. Foi assim que mais uma vez, ambos sentiram a textura e o sabor do beijo, enquanto cada milímetro de seus lábios experimentava aquela sensação. Um curto momento que aquece os corpos e alimenta o fogo da paixão dentro de cada cavidade do coração dos jovens amantes. Sentiram cada fibra de músculo se incendiar.

O casal continuou andando pelo jardim que se enchia de folhas secas caídas sobre a grama queimada pelo frio. Como era bom amar. Como era bom para ele sentir aquela sensação de aperto no coração sempre que a pessoa amada aparecia, sem nunca enjoar-se. E assim, cantando cada hino, enquanto cada momento passa apenas uma vez para cada um de nós, que os dois se puseram a cantarolar os sonhos do futuro. Despreocupados, devaneados, escancarados para o futuro que viesse. Encantados com os sons e sabores capazes de colorir cada espaço vazio que temos de vida. Ah! Cantemos, encantemo-nos, pois só assim, de alguma forma, vivemos a plenitude de cada milésimo de segundo que nos foi dado.