terça-feira, 2 de junho de 2009

Chega de reclamar e vamos trabalhar

Não sou, nunca fui e nunca serei a favor de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014, assim como sou contra a copa de 2010 ser realizada na nossa pobre e desigual África do Sul. As situações são muito parecidas, países de terceiro mundo, ascendentes, com desigualdade social, financeira e cultural; com testamento de inglórias políticas e roubalheira. Países que deveriam olhar com mais carinho para esses problemas, ao invés de simplesmente tentar esconder esses problemas com o tapete concedido pela FIFA. O Apartheid não está superado nem lá e nem cá, temos descriminação por raça, religião, cultura e escolha sexual. Ainda assim, de nada adianta continuarmos a reclamar sem nada fazer. Fomos escolhidos, ano que vem vamos jogar lá e em 2014, eles vêm jogar aqui. Gastaremos milhões em projetos onde de cada R$10, R$6 serão de cofres públicos.

Nossa postura não pode ser de reclamões, pentelhos e desocupados. Existe o problema, como resolver? Como podemos ajudar? Como fiscalizar para saber se as obras estão sendo bem feitas. Quando fomos escolhidos sede do Pan, fizeram a mesa coisa, as mesmas ponderações, mas não levamos nós mesmos a sério. Meses depois, estava tudo esquecido. Apenas perto da competição resolvemos que era hora de agir e fomos atrás. Nesse momento, já tínhamos obras super-faturadas, mal acabadas e nada podamos fazer, a não ser esperar para ver o que aconteceria com nosso dinheiro. Reclamamos em vão, mas estávamos na mão de quem podia mais, por preços exorbitantes e descabidos. Até hoje, alguém sabe onde foi parar o dinheiro desviado pelas empresas que nunca entregaram as obras do Pan do Rio de Janeiro?

Se repetirmos os mesmo erros de anos atrás, de nada terá valido a experiência para nós. Apenas fortaleceremos o sentimento de superioridade dos políticos que comandam nosso país. Chega de simplesmente reclamarmos. Temos que ficar de marcação com todos os organizadores. Checar se as obras que serão feita serão reaproveitadas para diminuir os problemas supracitados. Saber se tudo que será construído será utilizado depois da competição, e quem irá tratar dessas obras. Temos que fazer como o Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), estudou a infraestrutura existente no Brasil para a copa e formulou o estudo Vitrine ou Vidraça: Desafios do Brasil para a Copa de 2014. Além disso, também lançara o portal www.copa2014.org.br, que acompanhará toda a montagem das estruturas da copa. Veja mais informações do estudo no blog do Terra Magazine.

Somos o melhor país para organizar a copa? Não, nem hoje, nem nos próximos 50 anos, mas já que aqui estamos, vamos fazer valer o orgulho de sermos brasileiros. Vamos mostrar para nós mesmo, que somos dignos de receber os jogadores de outras nações.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Modismos e Delírios

Sempre fui um pouco relutante em aderir a certos modismos. Quando adolescente me recusei a utilizar o tão adorado ICQ, apenas quando finalmente entrei para o curso de jornalismo e a necessidade de me comunicar era obvia, que finalmente resolvi encarar algo do tipo. Abri minha conta no MSN, pedi para ser convidado para entrar no Orkut, sim, naquele tempo não entrava quem queria, era preciso ser convidado por um amigo que tivesse uma conta. Ainda não acredito no Twitter, nem devo mudar de opinião.

Outra coisa que tenho dificuldades em fazer é ler alguma coisa apenas por que está na moda. Sou viciado em leitura, desde os clássicos da literatura nacional e internacional, como Manuel Bandeira e Machado de Assis, até os mais contemporâneos como Saramago e Chico Buarque. Romancês, ficções científicas, biografias, livros jornalísticos e “literatura nerd”.Sou fã de J.R.R.Tolkien e companhia. Tenho coragem suficiente de afirmar que li Harry Potter muito antes da febre de filmes, games e afins, e gosto muito da história. Não tem remédio melhor pra relaxar e levar sua mente para um mundo de fantasias do tipo Disney.

Um dos modismos que me incomoda de forma absurda no mundo literário é esse tal de “Crepúsculo”, uma série de quatro livros – produzidos em larga escala - da escritora Stephenie Meyer. Um romance sobre vampiros e lobisomens. Deixa-me ver, devem existir uns 100 títulos com esse tema e no mínimo metade deles é melhor que esse. Li algumas passagens em um exemplar de uma amiga e foi a coisa mais irritante que passou pelas minhas mãos desde quando li “O Segredo” em uma madrugada chuvosa e sem nada melhor para se fazer. Quer saber de um bom segredo, poupe seu tempo e não leia esse livro. Aliás, nenhum dos livros.

O roteiro é sem graça, a velha história da mocinha que vai morar na única cidade que não deseja, em um lugar que todo mundo se conhece e com o pai que nunca viu na vida. Tenta se adaptar parece uma coitada e conhece o homem perfeito, só que, meu Deus! Que surpresa, ele é um vampiro, e agora, o que fazer? Puta que pariu, Drácula de Bram Stoker segue uma linha muito parecida e põe titia Mayer pra pastar. Ainda assim, o primeiro livro já tem filme e o segundo deve ganhar um versão para a telona dentro em breve. Com temas tão fracos, é fácil explicar a avalanche de continuações.

Existe uma série de livros escritos pelo brasileiro André Vianco, que são fantásticos e contam a história de vampiros no Brasil. Ainda assim, pouco se fala desses livros, que recomendo comprarem assim que possível.

Sem mais, recomendo que leiam “Medo e Delírio em Las Vegas: uma jornada selvagem ao Sonho Americano”, do jornalista Hunter S. Thompson. Resumindo, É foda! Passa com clareza e detalhes o momento conturbado, cultural e sem rumo certo que marcou as décadas de 60 e 70. Delirante, o criador do Gonzo jornalismo se mostra um dos melhores escritores de nossa era.